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terça-feira, 9 de maio de 2017

"Sou muito agradecido à mãe natureza por ter me dado minha tristeza.  
É ela que me poupa de, alegremente, comemorar a perda de um amigo 
ou a perda dos dedos da mão. Ou ficar indiferente a isso.  
Bendita tristeza que não me permite ser absurdo em relação a tudo que me acontece vindo de externo a mim. Sou também grato a ela por me permitir ter 
um estado de espírito adequado à perda de ilusões. É muito aliviante poder estar triste quando constato não possuir, realisticamente, as virtudes que, ilusoriamente, eu me atribuía. Um fardo inútil que se deixa de carregar. 
E também, menor flagelação quando não correspondo às virtudes que não tenho. Bendita tristeza que não me permite ser absurdo em relação a mim mesmo. 
E bendita alegria que me permite comemorar a recuperação de meu amigo 
e a posse das virtudes que realisticamente possuo. E bendita inveja que me faz querer possuir o que meu inimigo possui, e bendita admiração que me faz comemorar o que meu amigo possui, como se eu mesmo possuísse. 
Estou defendendo que a tristeza, apesar de dolorosa, é uma capacidade humana necessária, boa. E não, como habitualmente se acredita que, por ser dolorosa, 
é ruim. Ela é, mesmo, uma das mais infinitas variações da realidade externa ou à relação de cada um consigo mesmo. Numa palavra, permite adaptação." 

- Trecho do artigo "Em defesa do meu direito de ser triste" do psiquiatra Oswaldo D. Di Loreto


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